Quando Deus Conta o Tempo e Nós Aprendemos a Viver: Um Chamado Bíblico para um 2026 Diferente
Encerramos 2025 não apenas virando uma página do calendário, mas encerrando um capítulo real da nossa existência. O fim de um ano não é um detalhe administrativo da vida, é um lembrete silencioso de que o tempo anda, enquanto nós muitas vezes apenas passamos por ele. A Bíblia não trata o tempo como algo neutro ou aleatório. Desde Gênesis, o tempo é criação, propósito e instrumento nas mãos de Deus. E é exatamente aí que começa o nosso chamado para um 2026 verdadeiramente bíblico.
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HAJA LUZ: QUANDO DEUS EXISTIA COMO A PRÓPRIA FONTE DO TEMPO
Em Gênesis 1:3 lemos: “Então Deus disse: ‘Haja luz’, e houve luz.” (Gênesis 1:3, NVT). A luz surge antes do sol, da lua e das estrelas. Isso não é um detalhe técnico do texto, é uma revelação teológica profunda. Antes de existir qualquer marcador de tempo, Deus já iluminava tudo. Ele não depende de relógios, ciclos ou estações. Deus não entra no tempo; o tempo existe porque Ele falou.
Esse mesmo Deus é descrito em Apocalipse como Aquele que não precisa de sol ou lua para iluminar a cidade santa, porque “a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Apocalipse 21:23, NVT). O Deus que começou iluminando o mundo é o mesmo que encerrará a história como a própria luz eterna. Ele é eterno, atemporal, autoexistente. Ele não precisa do tempo. Nós precisamos.
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O QUARTO DIA: QUANDO DEUS NOS ENSINA A CONTAR OS ANOS
Somente no quarto dia Deus cria os luminares. O texto diz: “Então Deus disse: ‘Que haja luzes no céu para separar o dia da noite. Que sirvam como sinais para marcar as estações, os dias e os anos’” (Gênesis 1:14, NVT). Aqui algo muda. Deus cria instrumentos para que nós possamos medir, perceber e organizar a vida. Dias, estações e anos não são invenções humanas; são dons divinos.
Os anos existem para que a vida não seja vivida no improviso espiritual. Eles nos ensinam que há ciclos, colheitas, encerramentos e recomeços. Quem ignora os anos vive como se tudo fosse igual, como se o tempo fosse um corredor infinito sem portas. Mas Deus colocou portas no tempo, e cada ano é uma delas.
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NÃO FOMOS CRIADOS PARA VIVER ALEATORIAMENTE
Depois de mais de meio século de vida, eu sei que nenhum dia é igual ao outro. Alguns dias marcam, outros curam, outros confrontam, outros amadurecem. O problema não é o tempo passar; o problema é o tempo passar por nós sem produzir discernimento. Deus não criou os anos para serem apenas contados, mas para serem entendidos.
Por isso, desejar apenas “feliz 2026, com muita alegria, paz e prosperidade” não é errado, mas é insuficiente. A Bíblia nos chama a algo mais profundo do que euforias genéricas. Ela nos chama à sabedoria. Um ano pode ser próspero e ainda assim vazio. Pode ser alegre e ainda assim desperdiçado. Pode ser longo e ainda assim mal vivido.
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SALMO 90: QUANDO MOISÉS NOS ENSINA A LER O CALENDÁRIO COM TEMOR
O Salmo 90 é uma aula espiritual sobre o tempo. Moisés começa afirmando quem Deus é antes de falar de quem nós somos: “Senhor, tu tens sido nosso refúgio por todas as gerações. Antes de formares os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus” (Salmo 90:1–2, NVT).
Deus é eterno. Ele não envelhece, não se apressa, não se atrasa. Em contraste, Moisés diz: “Tu fazes os seres humanos voltarem ao pó, dizendo: ‘Voltem ao pó, ó filhos dos homens’” (Salmo 90:3, NVT). Aqui está o choque. Deus não precisa do tempo; nós somos definidos por ele.
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CONTAR OS DIAS PARA ENCONTRAR UM CORAÇÃO SÁBIO
O clímax do Salmo 90 vem no verso mais conhecido e talvez um dos mais confrontadores de toda a Escritura: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que o nosso coração alcance sabedoria” (Salmo 90:12, NVT). Note que o pedido não é por mais dias, mas por entendimento dos dias. Não é por anos mais longos, mas por anos mais conscientes. Moisés ora sabendo que Deus é infinito, mas nós somos profundamente finitos.
O próprio salmo estabelece esse contraste logo no início: “Antes de formares os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus” (Salmo 90:2, NVT). Deus não envelhece, não se apressa, não perde tempo. Ele habita a eternidade. Em seguida, Moisés nos coloca no devido lugar: “Tu fazes os seres humanos voltarem ao pó, dizendo: ‘Voltem ao pó, ó filhos dos homens’” (Salmo 90:3, NVT). O eterno fala, e o finito retorna ao pó.
Mais adiante, o salmo descreve o tempo humano com imagens quase dolorosas: “Mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como algumas horas da noite. Arrastas as pessoas como uma enchente; são como um sonho que desaparece, como a relva que brota de manhã e à tarde murcha e seca” (Salmo 90:4–6, NVT). Os dias não apenas passam; eles escorrem. As estações não apenas mudam; elas não retornam. Os anos não esperam ninguém.
Por isso, contar os dias não é viver ansioso, é viver desperto. É reconhecer que cada amanhecer encurta o caminho restante. Cada ano vivido reduz o número de anos possíveis. O tempo não anda em círculos; ele avança como uma estrada que se estreita à medida que caminhamos. Ignorar isso não nos torna mais livres, apenas mais distraídos.
Quando aprendemos a contar os dias, as estações e os anos, algo profundo acontece dentro de nós. O coração amadurece. As prioridades se alinham. O arrependimento se torna urgente. A graça se torna preciosa. Os anos deixam de ser apenas números e passam a ser mestres severos e misericordiosos ao mesmo tempo. Eles nos ensinam humildade, dependência, arrependimento e gratidão. E assim, somente assim, o pedido de Moisés se cumpre em nós: um coração que, diante do Deus eterno, aprende a viver sabiamente no tempo que não volta.
UM 2026 TOTALMENTE BÍBLICO
Um 2026 bíblico não é aquele sem dor, mas aquele com direção. Não é aquele sem perdas, mas aquele com propósito. Não é aquele onde tudo dá certo, mas onde Deus nos ensina a ver certo. Quando aplicamos Gênesis e o Salmo 90, entendemos que Deus quer que vivamos o tempo com reverência, intenção e esperança.
Se aprendermos a contar nossos dias, nossas estações e nossos anos, algo muda dentro de nós. O coração se torna sábio. As decisões ficam mais sóbrias. A fé amadurece. E sim, o ano se torna diferente. Não porque o calendário mudou, mas porque nós mudamos diante de Deus.
CONCLUSÃO
Deus continua sendo luz antes dos luminares, eterno antes dos calendários, soberano sobre cada estação. Mas Ele nos chama, agora, a viver 2026 não como mais um ano que simplesmente passa, e sim como um ano que ensina, confronta e redireciona o coração. Ao longo deste ano, aqui neste blog, apontamos repetidas vezes para Jesus Cristo, para Sua obra perfeita, para as profecias cumpridas nEle, para a coerência entre Gênesis, os Salmos, os profetas e os Evangelhos, tudo para evidenciar a verdade daquilo que Ele mesmo declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6, NVT). O tempo, quando bem lido, sempre nos conduz a Ele.
Por isso, o meu desejo e a minha oração a cada pessoa que leu estes artigos devocionais ao longo do ano, ou que chega agora a este texto, é que 2026 seja, sim, um ano bíblico. Não apenas em linguagem, mas em direção. Não apenas em discurso, mas em caminhada. Que você esteja andando no caminho estreito que Cristo propôs, não confiando na própria força, mas na graça dAquele que capacita, sustenta e conduz. Esse caminho não é fácil, não é popular, não é largo, mas é verdadeiro, vivo e eterno.
Que ao aprender a contar os dias, as estações e os anos, você também aprenda a depender mais profundamente de Jesus. Que cada novo dia de 2026 seja vivido à luz dEle, com arrependimento sincero, fé viva e esperança firme. Somente Ele pode transformar o tempo em redenção, os anos em propósito e a nossa caminhada em vida abundante. Que assim seja, para a glória de Deus.
Senhor eterno, de eternidade a eternidade Tu és Deus. Nós, que habitamos o tempo, pedimos que nos ensines a viver nele com sabedoria. Não queremos atravessar 2026 distraídos, apressados ou espiritualmente adormecidos. Ensina-nos a contar nossos dias, nossas estações e nossos anos, para que nossos corações sejam moldados pela Tua verdade. Que cada dia carregue temor, cada estação produza fruto e cada ano nos aproxime mais de Ti. Que vivamos não apenas mais um ano, mas um ano que glorifique o Teu nome. Amém.


Amém🙏🏼
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