O SONHO DE BABEL: QUANDO O MUNDO QUER TUDO, SEM DEUS




 O DESEJO ANTIGO COM ROUPA NOVA

Ontem vimos a utopia cantada por John Lennon em Imagine, convidando o mundo a sonhar com uma humanidade sem países, sem fronteiras, sem guerras e sem religião.Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz.” A melodia é bonita, a proposta é sedutora, mas Deus sempre teve outro projeto. Hoje, voltamos ainda mais atrás, para Gênesis 11, onde esse mesmo sonho aparece em sua forma mais antiga e mais perigosa. Não é um sonho novo. É o velho desejo humano de fazer tudo, conquistar tudo e controlar tudo, sem Deus.

A FRASE QUE REVELA O CORAÇÃO DO MUNDO

Gênesis 11:6 (NVT) diz: “O Senhor disse: ‘Todos são um só povo e falam a mesma língua. Começaram a fazer isso e, agora, nada os impedirá de realizar qualquer coisa que planejem.’”

A frase que nos confronta hoje é esta: “E agora, nada os impedirá de realizar qualquer coisa que planejem.” Este é o sonho do mundo. Este é o delírio de Babel. Uma humanidade unida, tecnologicamente avançada, organizada, eficiente, mas sem submissão ao Criador.

BABEL E A UTOPIA MODERNA

Em Babel, o povo dizia: “Vamos construir uma cidade com uma torre que chegue até os céus. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo” (Gênesis 11:4, NVT). Note bem: “ficaremos famosos” e “não seremos espalhados”. Isso não é detalhe, é teologia. Deus havia dito aos filhos de Noé: “Sejam férteis e multipliquem-se. Encham a terra” (Gênesis 9:1, NVT). A vontade do Senhor era dispersão para missão, movimento para obediência, espalhamento para domínio responsável da criação. Mas Babel quis o oposto. Babel quis estabilidade sem submissão, raízes sem reverência, cidade sem céu.

O problema não era a construção. O problema era o coração. Eles queriam autonomia, glória própria e segurança sem Deus. Queriam fama no lugar do nome do Senhor. Queriam unidade sem obediência. Queriam ficar juntos quando Deus havia mandado espalhar. Babel não queria cumprir o mandato divino; queria construir um projeto humano alternativo.

E não podemos perder isso de vista: estamos falando da linhagem de Cam e de Canaã, marcada pela maldição (Gênesis 9:25). Essa linhagem se tornou conhecida por erguer grandes centros de poder sem Deus. Cidades que brilhavam por fora, mas apodreciam por dentro. Egito. Babilônia. Sodoma e Gomorra. As cidades da Suméria. E Babel. Todas com o mesmo DNA espiritual: grandeza sem arrependimento, progresso sem temor, civilização sem submissão ao Criador.

Babel não queria apenas uma torre. Babel queria um mundo onde o homem ficasse no centro e Deus fosse empurrado para fora da planta do projeto.

Hoje, o cenário mudou de tijolos para algoritmos, de barro para silício, de torres físicas para sistemas globais. Mas o espírito é o mesmo. O mundo sonha com um futuro onde tudo funciona perfeitamente: inteligência artificial, automação total, robôs, big data, biotecnologia, engenharia genética, internet das coisas, cidades inteligentes, moedas digitais, vigilância total, produção automatizada. Tudo operando no seu melhor. Tudo integrado. Tudo eficiente. Tudo sem Deus.

 FIM DA POBREZA, FIM DO SOFRIMENTO?

A promessa é utópica: com máquinas trabalhando por nós, dizem, a pobreza será eliminada. Não haverá mais esforço pesado. Não haverá mais escassez. Todos terão acesso a tudo. Um mundo confortável, seguro, previsível, controlado.

Nos últimos dias, você talvez tenha lido ou ouvido declarações de figuras como Elon Musk e Bill Gates falando sobre um futuro automatizado. A ideia é clara: as máquinas farão grande parte do trabalho humano.

Trabalhar será uma opção, não uma necessidade. As pessoas viverão com base em um crédito universal, uma renda básica garantida. O dinheiro virá das grandes corporações, passará pelos governos, e o governo redistribuirá à população para manter a economia girando. Bonito, não é? Organizado. Racional. Tecnológico. Babel com Wi-Fi.

A IDEIA CENTRAL: JUNTOS, FAREMOS O QUE QUISERMOS

Essa é a essência de Babel: juntos, faremos o que quisermos. Sem limites. Sem freios. Sem céu sobre nós. O problema é que quando o homem tira Deus do centro, ele não fica neutro. Ele se coloca no lugar de Deus. A tecnologia deixa de ser ferramenta e se torna trono. A eficiência vira ética. O controle vira virtude. E o pecado ganha infraestrutura.

POR QUE DEUS FOI CONTRA BABEL?

A pergunta é inevitável: se eles estavam unidos, criativos e produtivos, por que Deus desceu e confundiu as línguas? Porque unidade sem verdade é tirania. Porque progresso sem Deus é rebelião organizada. Porque um mundo onde “nada os impedirá” não é um mundo livre, é um mundo sem arrependimento.

Deus não destruiu Babel por causa da torre, mas por causa do coração. Ele viu que aquele caminho levaria a um poder humano absoluto, sem temor, sem limite e sem redenção.

O PARALELO COM APOCALIPSE: O MUNDO SOB UM SÓ GOVERNO

Agora, deixe eu “derrapar” na mimesis aqui, no sentido de observar para onde esse movimento aponta. Quando fazemos afirmações que ainda não conseguimos sustentar plenamente, estamos apenas lendo os sinais do tempo. Isso não é coisa de séculos. É coisa de anos. Talvez dias.

Em Apocalipse, vemos a imagem de um sistema global, centralizado, com controle econômico, político e ideológico. Um governo mundial onde ninguém pode comprar nem vender sem estar alinhado ao sistema (Apocalipse 13). Um poder que exige conformidade, adoração e submissão total.

O cenário pintado hoje pelo mundo tecnológico tem ecos assustadores disso: tudo sob controle, tudo rastreado, tudo monitorado, tudo condicionado. Se existir algo que as pessoas quiserem fazer que não esteja na ordem desse sistema, serão perseguidas, silenciadas, excluídas. Você consegue ver a semelhança?

CONCLUSÃO: BABEL SEMPRE TERMINA EM JUÍZO

O sonho de Babel sempre parece bonito no começo. Unidade. Paz. Progresso. Conforto. Mas o fim de Babel é sempre o mesmo: confusão, juízo e queda. Porque Deus não divide Sua glória com sistemas humanos. Ele não aceita um mundo onde o homem tenta viver sem o Criador.

O mundo diz: “Nada nos impedirá.” Deus responde: “Sem mim, vocês não podem fazer nada” (João 15:5).

A grande pergunta não é se a tecnologia vai avançar. Ela vai. A grande pergunta é: quem estará no centro desse mundo? O Cordeiro… ou a torre?

Senhor, abre os nossos olhos para enxergarmos como Tu vês. Livra-nos do encanto de Babel, da sedução do controle e da ilusão de um mundo sem Ti. Ensina-nos a discernir os tempos, a amar a verdade e a permanecer fiéis quando o mundo quiser nos moldar à sua imagem. Dá-nos coragem para viver como cidadãos do Teu Reino em meio a um império que se ergue contra o céu. Em nome de Jesus. Amém.


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