Olhai para Jesus – Considerai Aquele que Suportou


“³ Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.
⁴ Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.”

Hebreus 12:3–4

1. O texto começa com um verbo que governa tudo: CONSIDERAI

O versículo não começa com uma emoção. Começa com uma ordem. “Considerai.”

O autor não está oferecendo uma sugestão inspiradora para dias difíceis. Ele está comandando a mente. A palavra aponta para cálculo cuidadoso, reflexão profunda, contemplação perseverante. É como se dissesse: parem, pensem, fixem os olhos de forma intencional.

Isso conecta diretamente com o que já foi dito em Hebreus 12:2: “olhando para Jesus”. O fluxo é claro:

• Hebreus 12:1 – Corramos com perseverança.
• Hebreus 12:2 – Olhando firmemente para Jesus.
• Hebreus 12:3 – Considerai aquele que suportou.

Olhar não é um relance rápido. É foco contínuo. E considerar é aprofundar esse olhar até que ele molde nossa resistência.

Nosso tema não é apenas admirar Jesus. É fixar os olhos nEle de modo que nossa alma seja sustentada.

2. Considerai Aquele que suportou contradições

Considerai… aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo…”

O texto fala de “contradições”. A palavra carrega a ideia de oposição hostil, resistência verbal, desprezo, afronta, acusação, rejeição sistemática.

Jesus não enfrentou apenas dor física. Ele enfrentou:
• traição religiosa,
• manipulação política,
• multidões volúveis,
• acusações injustas,
• zombaria pública.

Aquele que é a Verdade foi chamado de mentiroso.
Aquele que é Santo foi tratado como criminoso.
Aquele que é o Filho foi cuspido por criaturas.

E Ele suportou.

Não retaliou.
Não desistiu.
Não recuou da missão.

Quando o autor diz “considerai”, ele nos conduz a meditar nesse contraste: o Justo suportando a injustiça, o Puro carregando a violência moral dos pecadores.

Ele suportou “contra si mesmo”. Não era merecido. Não era consequência de erro próprio. Era oposição pura contra a luz.

E nós somos chamados a olhar para isso.

3. O propósito: para que não enfraqueçais

“…para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”

Aqui está o objetivo do texto.

O problema não é apenas sofrimento externo. O perigo maior é o desfalecimento interno.

A palavra aponta para cansaço da alma, perda de vigor espiritual, desistência silenciosa. Não é necessariamente abandonar a fé publicamente. É começar a se render por dentro.

O autor sabe que a oposição desgasta. A luta prolongada corrói a energia. A pressão constante tenta dobrar nossa perseverança.

E a solução não é olhar para nós mesmos.
Não é comparar nossa dor com a dos outros.
Não é alimentar autopiedade.

É considerar Jesus.

O olhar certo fortalece o ânimo.
A contemplação correta renova a resistência.

Quando fixamos os olhos naquele que suportou o máximo, nossa alma encontra proporção. O sofrimento deixa de ser absoluto e passa a ser interpretado à luz da cruz.

4. Ainda não resististes até ao sangue

“⁴ Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.”

Agora o texto aperta o tom.

O autor lembra seus leitores que, embora perseguidos, ainda não haviam derramado sangue na luta contra o pecado.

A comparação não é para humilhar. É para despertar.

Jesus resistiu até o sangue.
Jesus foi até o fim.
Jesus não negociou com o pecado.

E nós?

O texto fala de combate. A vida cristã não é passeio contemplativo. É arena espiritual. O pecado não é um detalhe decorativo na vida; é um inimigo ativo.

Resistir até o sangue significa levar a santidade a sério. Significa que a luta contra o pecado não é superficial, mas intensa, radical, perseverante.

Se Ele enfrentou a cruz por causa do pecado, como poderíamos tratar o pecado com leveza?

Conclusão: 

Contemplar para Perseverar

O movimento do texto é simples e direto: considere Cristo, veja Seu sofrimento, entenda o propósito e resista ao pecado.

O autor nos leva da contemplação à ação.

Olhar para Jesus não nos torna passivos. Nos torna firmes. Quem considera Aquele que suportou contradições aprende que oposição não é sinal de abandono. Quem lembra que Ele resistiu até o sangue entende que o pecado não pode ser tratado com leveza.

O mundo manda olhar para a dor. O medo manda olhar para os riscos. A carne manda olhar para a fraqueza.

Hebreus manda olhar para Cristo.

Perseverança nasce desse olhar. Resistência brota dessa contemplação.

Ele suportou.
Ele resistiu.
Ele venceu.

Se queremos não desfalecer, olhemos para Jesus.
Consideremos Aquele que suportou.
E permaneçamos até o fim.


Ó Deus Santo e Altíssimo,

Nós Te bendizemos porque nos deste Teu Filho, que suportou contradições, desprezo e sangue derramado sem recuar da Tua vontade. Quando nossos ânimos se enfraquecem e o combate contra o pecado nos parece pesado, inclina nossos olhos para Cristo.

Ensina-nos a considerar Aquele que resistiu até o fim. Arranca de nós toda leveza para com o pecado e planta em nosso coração santa determinação. Que não desfaleçamos por dentro, nem nos entreguemos ao cansaço da alma.

Concede-nos graça para lutar, fé para perseverar e amor para obedecer. Que a lembrança da cruz nos fortaleça, que a esperança da glória nos sustente e que Teu Espírito nos mantenha firmes até o fim.

Por meio de Jesus, nosso Capitão e Consumador, nós oramos.

Amém.

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