Olhe Para Jesus: A Direção que Redefine a Vida
Estamos começando uma nova série. E, se você tem nos acompanhado, já são 945 dias caminhando juntos aqui neste blog. Sim, quase mil dias. Já virou rotina espiritual… e talvez até um pequeno vício santo. Tudo isso nasceu das minhas devocionais diárias. O que começou como anotações pessoais acabou virando uma mesa aberta, onde temos refletido sobre Cristo todos os dias.
Ao longo desse tempo, já passamos por muitos temas: os mandamentos de Cristo, as profecias sobre Jesus, a revelação de Cristo em Apocalipse, a série “Jesus é um Problema”, os Nomes de Deus no Velho Testamento, como a Bíblia chegou às nossas mãos, o início da criação em Gênesis… enfim, já fizemos uma verdadeira peregrinação teológica com mochila, mapa e cantil. 📖🏕️
Mas hoje chegamos a um tema que tem mexido fundo com o meu coração: a simples e poderosa expressão “Olhe para Jesus.”
E para abrir essa nova série, quero contar a história de um jovem que viria a ser conhecido como o Príncipe dos Pregadores. Ele não se converteu num culto famoso, nem num grande templo, nem ouvindo um sermão brilhante. Ele se converteu ouvindo uma frase repetida com santa insistência: “Olhe para Jesus.”
A história começa numa manhã gelada, numa pequena igreja em Colchester… ❄️
A noite fria em Colchester
Era 6 de janeiro de 1850. Spurgeon tinha apenas 15 anos. Neve fechava as ruas de Colchester, e ele caminhava com a alma tão pesada quanto o céu. Buscava Deus com esforço sincero, mas o coração seguia em maré baixa. A tempestade branca o obrigou a entrar numa capela metodista primitiva, pequena, quase escondida do mundo. O templo era simples, bancos poucos, gente pouca. E o pastor… não estava.
No lugar dele, levantou-se um leigo, sem brilho acadêmico, sem oratória lapidada. A voz era comum. O sermão, curto. O texto, Isaías 45:22. E a mensagem, martelada com insistência santa:
“Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
O pregador não tinha muito o que dizer, então dizia a mesma coisa de muitos jeitos. E de novo. E outra vez. “Olhe para Jesus.” Não para suas obras. Não para seus sentimentos. Não para sua força. Olhe para Jesus.
Em certo momento, o homem percebeu aquele jovem alto e magro no fundo do templo e, como se Deus apontasse com o dedo, falou direto:
“Jovem, você parece muito miserável. E será miserável na vida e na morte se não obedecer ao meu texto. Mas, se agora mesmo você olhar para Jesus, será salvo.”
Spurgeon descreveu depois que, naquele instante, tudo mudou. Não foi uma emoção vaga. Foi como se uma janela se abrisse dentro do peito. Ele não fez um discurso para Deus. Não montou uma estratégia espiritual. Ele simplesmente… olhou. 👀✝️
E ao olhar, viveu.
O que significa “olhar para Jesus”?
Essa frase não é poesia frouxa. É ordem viva. É ação do coração e da mente. Olhar para Jesus é deslocar o centro do nosso foco. É trocar o espelho pelo trono. É parar de examinar apenas nossas falhas e começar a contemplar a suficiência dEle.
Olhar para Jesus é:
• Crer que Ele é quem diz ser.
• Confiar que Ele fez o que disse que fez.
• Descansar no que Ele é para nós agora.
Não é fechar os olhos para a realidade. É abrir os olhos para a realidade maior.
Quando Spurgeon olhou para Jesus, ele não resolveu todos os problemas da vida em cinco segundos. Mas ganhou algo maior: uma nova direção para todos os problemas.
Por que isso será o eixo da nossa nova série?
Porque tudo na vida cristã se organiza em torno daquilo que contemplamos. O que ocupa o centro do nosso olhar molda o formato da nossa alma. Se olhamos para nós, encolhemos. Se olhamos para o mundo, nos confundimos. Se olhamos para Jesus, somos refeitos.
Essa série nasce dessa pergunta simples e perigosa:
Se alguém dissesse hoje para você: “Olhe para Jesus”, você saberia como fazer isso na prática?
Olhar para Jesus não é apenas ler um versículo e seguir a vida. É aprender a enxergar Cristo em todas as áreas:
• Na maneira como pensamos.
• Na forma como decidimos.
• No modo como sofremos.
• No jeito que amamos.
• Na forma como lidamos com o pecado.
• Na maneira como enfrentamos o futuro.
Quando elevamos o nosso conhecimento de Deus, não ficamos apenas mais “teológicos”. Ficamos mais humanos no sentido mais profundo da palavra. O céu começa a vazar para dentro da rotina. A fé deixa de ser teoria e vira arquitetura da vida. 🏗️✨
A grande virada: do esforço para o foco
Spurgeon não foi salvo porque se esforçou mais. Ele foi salvo porque mudou o foco. Parou de olhar para o próprio desespero e começou a olhar para a suficiência de Cristo.
Nossa série vai caminhar nessa trilha:
Não é “faça mais”.
É “olhe melhor”.
Não é “tente mais”.
É “contemple mais”.
Não é “sinta mais”.
É “veja mais claramente quem Jesus é”.
Chamado inicial da série
Talvez você esteja como Spurgeon estava naquela manhã fria. Com passos cansados, alma inquieta, fé em estado de neblina. A Palavra hoje ecoa do mesmo jeito simples e direto:
Olhe para Jesus.
Não como slogan.
Não como frase bonita.
Mas como direção de vida.
E é isso que vamos aprender juntos nesta nova série:
como olhar para Jesus de forma que transforme tudo.
Que o nosso conhecimento de Deus não seja apenas informação, mas combustão. Que o que vemos em Cristo mude o jeito como vivemos tudo. 🔥🙏
Senhor nosso Deus e Pai, nós nos achegamos a Ti com corações cansados e olhos muitas vezes distraídos. Confessamos que, em vez de contemplarmos a Tua glória, temos fixado o olhar em nós mesmos, em nossos medos, em nossos pecados e nas promessas vazias deste mundo. Perdoa-nos por trocar a luz do Teu rosto pelas sombras das nossas próprias vontades. Ensina-nos a olhar para Jesus, não apenas como Salvador no passado, mas como Senhor presente e Rei vivo sobre cada detalhe da nossa vida. Que o Teu Espírito nos cure da cegueira espiritual, alinhe nossos afetos com os Teus e nos faça encontrar descanso na suficiência de Cristo. Que o nosso conhecimento de Ti não seja apenas informação na mente, mas fogo no coração e obediência no caminho. Conduze-nos a viver de tal forma que o nosso olhar constante para o Filho molde nossas decisões, nossas palavras e nossos desejos. Nós pedimos isso não por merecimento, mas por causa da beleza, do poder e da graça do nome de Jesus. Amém.


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