OLHE PARA JESUS NA HUMILHAÇÃO
A encarnação como lição contra o orgulho espiritual
Existe um tipo de orgulho que não usa salto alto. Ele usa Bíblia.
Não fala alto. Ora alto.
Não se exibe como pecador rebelde. Exibe-se como justo disciplinado.
É o orgulho espiritual.
E ele só é derrotado quando fazemos aquilo que Hebreus nos ordena: olhar para Jesus.
1. O Deus que desceu
O apóstolo Paulo nos leva ao abismo mais profundo da humildade divina:
“Embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus fosse algo a que devesse se apegar. Em vez disso, esvaziou-se; assumiu a posição de escravo e nasceu como ser humano. Quando veio em forma humana, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz.”
(Epístola aos Filipenses 2:6-8, NVT)
O texto não diz que Ele deixou de ser Deus. Diz que Ele não se agarrou aos privilégios da glória.
O Criador entrou na criação.
O Sustentador precisou ser amamentado.
Aquele que veste os lírios foi enrolado em panos simples.
A encarnação não é apenas um evento teológico.
É um golpe direto no nosso orgulho religioso.
2. O Rei na manjedoura
Lucas registra:
“Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Vocês o reconhecerão por este sinal: encontrarão um bebê envolto em faixas de pano, deitado numa manjedoura.”
(Evangelho de Lucas 2:11-12, NVT)
O sinal não foi um palácio.
Não foi um exército.
Não foi um templo majestoso.
Foi uma manjedoura.
Se Deus escolheu começar assim, quem somos nós para exigir reconhecimento, status e aplausos no serviço cristão?
Olhe para Jesus na humilhação.
Ele não competiu por honra. Ele desceu.
3. O escândalo da simplicidade
João escreve:
“No princípio aquele que é a Palavra já existia. A Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.”
(Evangelho de João 1:1, NVT)
E alguns versículos depois:
“Aquele que é a Palavra tornou-se ser humano e viveu entre nós.”
(Evangelho de João 1:14, NVT)
A Palavra eterna virou carpinteiro conhecido.
O Infinito ocupou um endereço.
O Santo caminhou em ruas empoeiradas.
Orgulho espiritual gosta de posição.
Jesus escolheu proximidade.
Orgulho gosta de distinção.
Jesus tocou leprosos.
Orgulho quer ser servido.
Jesus lavou pés.
4. A raiz do nosso orgulho
O orgulho espiritual nasce quando começamos a acreditar que:
• nossa disciplina nos torna superiores
• nosso conhecimento nos faz especiais
• nosso ministério nos dá importância
Mas a encarnação declara o contrário.
Ela diz que grandeza, no Reino, é descida voluntária.
O próprio Cristo ensinou:
“Quem quiser ser o primeiro entre vocês deverá tornar-se escravo.”
(Evangelho de Mateus 20:27, NVT)
Ele não apenas ensinou. Ele viveu.
5. Olhe para Jesus… e desça também
Quando olhamos para Jesus na humilhação, três coisas acontecem:
1. Nossa justiça própria é exposta
Se o Filho eterno precisou descer, como ousamos nos exaltar?
2. Nossa busca por reconhecimento é confrontada
O Salvador do mundo começou invisível para o mundo.
3. Nosso serviço ganha novo formato
Não servimos para sermos vistos. Servimos porque fomos alcançados.
A encarnação é um espelho.
E nele vemos o contraste entre o Deus humilde e o nosso coração orgulhoso.
6. Aplicação pastoral
Se queremos matar o orgulho espiritual, não basta prometer humildade.
Precisamos contemplar humildade encarnada.
Olhe para Jesus:
• quando desejar ser reconhecido
• quando se sentir superior
• quando quiser provar que sabe mais
• quando servir esperando aplauso
A cura do orgulho não é pensar menos sobre si.
É pensar mais sobre Cristo.
E quanto mais olhamos para Ele na manjedoura, mais o trono do nosso ego perde espaço.
Conclusão
A encarnação não é apenas o começo da história da redenção.
É o começo da nossa verdadeira humildade.
Se o Deus eterno entrou no mundo sem exigir honra…
se o Rei nasceu em pobreza…
se o Santo caminhou entre pecadores…
Então o nosso caminho também é de descida.
Olhe para Jesus na humilhação.
E permita que o Deus que desceu destrua, com santa ternura, toda arrogância religiosa que ainda insiste em subir.
Ó Deus Altíssimo e, ainda assim, Deus que se inclina,
nós nos achegamos a Ti contemplando o mistério da encarnação. Tu, que habitas em luz inacessível, escolheste a sombra de uma manjedoura. Tu, diante de quem os anjos cobrem o rosto, aceitaste o olhar comum de homens frágeis. Diante de tão santa humilhação, nosso orgulho se revela como poeira inquieta tentando subir contra o vento da Tua glória.
Confessamos que desejamos honra onde deveríamos desejar serviço. Buscamos reconhecimento onde deveríamos buscar fidelidade. Alimentamos pensamentos secretos de superioridade enquanto proclamamos verdades sagradas. Perdoa-nos por transformar dons em medalhas e conhecimento em trono.
Ensina-nos a olhar para Jesus,
Aquele que, sendo rico, se fez pobre;
Aquele que, sendo Senhor, tomou forma de servo;
Aquele que desceu não por necessidade, mas por amor.
Grava em nosso coração a beleza da humildade encarnada. Que a manjedoura esmague nossa vaidade. Que o carpinteiro de Nazaré desmonte nossa pretensão. Que a cruz silencie toda exaltação própria.
Faz-nos pequenos aos nossos próprios olhos e grandes apenas em admiração por Cristo. Dá-nos alegria em servir sem sermos vistos, contentamento em obedecer sem aplauso, paz em diminuir para que Ele cresça.
Que cada passo nosso seja moldado pelo Filho que desceu.
Que cada palavra nossa carregue o perfume da mansidão dEle.
Que cada obra nossa seja feita para Tua glória somente.
E quando o orgulho tentar novamente se erguer como torre em nosso interior, leva-nos outra vez à manjedoura, outra vez à vida oculta do Salvador, outra vez ao Cristo humilde.
Concede-nos a graça de viver olhando para Jesus, até que toda exaltação própria morra e somente Ele seja visto.
Amém.

Amém
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