Olhe para Jesus no Silêncio diante da Acusação
Vivemos dizendo que olhamos para Jesus, mas raramente imitamos o que vemos. Admiramos Sua mansidão, porém defendemos nosso ego com unhas afiadas. Exaltamos Sua cruz, mas resistimos à disciplina silenciosa que a cruz exige.
Hebreus nos chama a algo mais profundo, mais intenso, mais contínuo:
“Portanto, uma vez que estamos rodeados por tão grande multidão de testemunhas, livremo-nos de todo peso que nos impede de correr, especialmente do pecado que nos envolve com tanta facilidade. E corramos com perseverança a corrida que foi posta diante de nós, mantendo os olhos fixos em Jesus, o líder e aperfeiçoador de nossa fé. Por causa da alegria que o esperava, ele suportou a cruz, desprezando a vergonha, e agora está sentado no lugar de honra à direita do trono de Deus.” (Hebreus 12:1-2, NVT)
Manter os olhos fixos.
Não um olhar ocasional.
Não uma observação distante.
Mas uma contemplação perseverante, atenta, transformadora.
Hoje veremos como Ele usou o silêncio.
O poder do domínio próprio.
Existem momentos em que falar parece necessário. Defender-se parece urgente. Responder parece justiça.
Mas há ocasiões em que qualquer palavra seria apenas combustível jogado em um incêndio já fora de controle.
É aqui que precisamos olhar para Jesus.
O Cristo que não se deixou governar pela provocação
O profeta declarou:
“Ele foi oprimido e tratado com dureza, mas não disse uma só palavra. Foi levado como cordeiro para o matadouro. E, como ovelha muda diante de seus tosquiadores, não abriu a boca.” (Isaías 53:7, NVT)
Diante de acusações falsas, Cristo não perdeu a compostura.
“Mas Jesus nada respondeu, e o governador ficou muito admirado.” (Mateus 27:14, NVT)
Esse silêncio não era ausência de argumentos.
Era ausência de necessidade de provar algo.
Ele não permitiu que seus acusadores determinassem o ritmo do seu coração. Não reagiu no impulso. Não entregou suas emoções nas mãos de quem o provocava.
Há uma sabedoria antiga que ensina que reagir imediatamente é permitir que o outro controle seu interior. O silêncio, nesse sentido, é um escudo. É autodomínio. É liberdade.
Jesus demonstrou isso de maneira perfeita.
Quando a resposta não resolve nada
Agora vamos para algo bem prático.
Imagine uma situação familiar.
Você está em uma conversa com alguém que já decidiu que você está errado. Não importa o que diga. A pessoa interrompe. Distorce suas palavras. Eleva o tom. Repete a acusação como se fosse um mantra.
Você percebe algo crucial:
Sua explicação não será ouvida.
Sua defesa não mudará o cenário.
Sua resposta não resolverá nada.
Nesse momento, há duas opções.
Entrar no jogo emocional.
Ou sair dele.
Se você reage impulsivamente, entrega o controle do seu coração ao outro. Ele passa a dirigir suas emoções como quem gira um volante.
Mas se você silencia, respira, mantém postura firme e responde apenas:
“Eu entendo que você pensa assim.”
E para por aí.
Algo muda.
A ausência de reação desarma.
A provocação perde combustível.
A tensão não encontra eco.
O oponente esperava confronto. Recebeu serenidade.
Esperava defesa agressiva. Recebeu estabilidade.
Isso é força sob controle.
O exemplo de Cristo aplicado a nós
Pedro escreveu:
“Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças. Entregava seu caso àquele que julga com justiça.” (1 Pedro 2:23, NVT)
Jesus nos ensinou que nem toda batalha precisa ser travada com palavras. Algumas são vencidas com governo interior.
Pergunta direta:
Você já praticou isso?
Quando uma situação inesperada explode diante de você, você usa do alto controle? Ou permite que o ambiente dite suas emoções?
Domínio próprio não é passividade.
É soberania interior.
É escolher não ser manipulado.
É não permitir que a acusação controle sua reação.
Há momentos em que falar é necessário.
Mas há outros em que o silêncio é a arma mais afiada da sabedoria.
Olhe para Jesus.
O silêncio dEle não foi fraqueza. Foi autoridade tranquila.
E talvez hoje o Espírito esteja nos chamando a vencer não pelo argumento mais alto, mas pelo coração mais governado.
Senhor Deus Todo-Poderoso,
Nós nos colocamos diante de Ti reconhecendo quão facilmente nossos lábios correm mais rápido que nosso coração rendido. Somos rápidos para responder, prontos para nos defender, inclinados a proteger nossa reputação como se ela fosse nosso refúgio. Perdoa-nos por cada palavra precipitada, por cada reação governada pelo orgulho, por cada tentativa de justificar-nos sem primeiro descansar em Ti.
Ensina-nos o santo domínio próprio. Forma em nós o caráter de Cristo, que, sendo injustamente acusado, não revidou, mas confiou Seu caso ao justo Juiz. Dá-nos um espírito manso quando formos provocados, um coração estável quando formos mal interpretados, e silêncio sábio quando falar não produzirá fruto algum.
Livra-nos da escravidão de reagir. Que não entreguemos nossas emoções às mãos daqueles que nos ferem. Governa nossa língua, disciplina nossos impulsos, e faze-nos lembrar que nossa segurança não está em vencer discussões, mas em pertencer a Ti.
Quando o fogo da acusação nos cercar, sê Tu nossa calma. Quando o ego clamar por defesa, lembra-nos da cruz. Quando o silêncio parecer fraqueza, mostra-nos que ele pode ser expressão de força espiritual.
Que nossas respostas, ou nossa ausência delas, reflitam confiança na Tua justiça. Que aprendamos a entregar nosso caso a Ti, descansando na certeza de que Tu julgas com retidão e ages no tempo perfeito.
Forma em nós o fruto do Teu Espírito. Dá-nos domínio próprio que nasça do amor por Ti. E que, olhando para Jesus, sejamos transformados à Sua imagem, para a glória do Teu Nome.
Amém.


Amém
ReplyDelete