Olhando para Jesus: O Livro que Nunca Chega ao Fim


Uma Conversa com um Leitor

Recentemente, um leitor me escreveu dizendo que esta série tem sido uma grande bênção para sua vida. Ao ler sua mensagem, meu coração foi tomado por gratidão. Afinal, por meses caminhamos juntos através das Escrituras, contemplando Cristo em Seus mandamentos, em Seu caráter, em Sua missão e em Sua glória.

Como compartilhei no artigo anterior, estamos entrando na última semana da série "Olhando para Jesus".

E confesso algo a vocês: existe um sentimento estranho em meu coração.

É parecido com o que um pai sente ao entregar um filho.

Existe alegria por vê-lo amadurecer.

Existe gratidão pela jornada percorrida.

Mas existe também uma vontade de não deixá-lo partir.

Ao olhar para trás, penso em quantos temas ainda poderiam ser explorados.

Quantas passagens poderiam receber mais atenção.

Quantos aspectos da beleza de Cristo ainda poderiam ser contemplados.

Frequentemente me pego pensando:

"Eu poderia ter abordado aquele texto por outro ângulo."

"Poderia ter desenvolvido melhor aquele tema."

"Poderia ter mostrado outra faceta da glória de Cristo."

Mas talvez esse sentimento revele algo muito maior do que nossas limitações como escritores ou leitores.

Talvez ele revele a grandeza inesgotável da Palavra de Deus.


Por Que Nunca Parece Suficiente?

A resposta é simples.

Porque estamos lidando com as palavras do Deus infinito.

Nenhum oceano pode ser esgotado com um balde.

Nenhuma montanha pode ser medida com uma régua.

E nenhuma mente humana pode esgotar a profundidade das Escrituras.

O salmista declarou:

"Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! É impossível enumerá-los! Não consigo contá-los; são mais numerosos que os grãos de areia! E, quando acordo, ainda estás comigo!" (Salmos 139:17-18, NVT)

Cada versículo é uma mina.

Cada capítulo é um campo de tesouros.

Cada leitura revela algo que não havíamos visto antes.

É por isso que um cristão pode ler o mesmo texto por cinquenta anos e ainda encontrar novas riquezas.

Não porque a Bíblia muda.

Mas porque sua profundidade excede nossa capacidade de explorá-la completamente.

A Palavra de Deus é um poço sem fundo.

Quanto mais descemos, mais água encontramos.


Voltando ao Ponto de Partida

Já que estamos nos aproximando do final desta jornada, gostaria de retornar ao texto que inspirou toda esta série.

O texto de Hebreus 12.

"Portanto, uma vez que estamos rodeados por tão grande multidão de testemunhas, livremo-nos de todo peso que nos atrasa, especialmente o pecado que nos envolve. E corramos com perseverança a corrida que foi posta diante de nós. Mantendo os olhos em Jesus, o campeão que inicia e aperfeiçoa a nossa fé." (Hebreus 12:1-2a, NVT)

Foi daqui que tudo começou.

Foi daqui que nasceu a ideia de olharmos para Jesus em Seus mandamentos.

Foi daqui que aprendemos que a vida cristã não é sustentada por força de vontade, mas por uma visão correta de Cristo.


A Necessidade de Olhar para Cristo

Observe que o autor não diz simplesmente para conhecermos Jesus.

Não diz apenas para admirarmos Jesus.

Não diz apenas para estudarmos Jesus.

Ele diz para mantermos os olhos em Jesus.

Esta é uma linguagem de foco contínuo.

De atenção constante.

De dependência diária.

O cristão corre olhando para Cristo.

Luta olhando para Cristo.

Sofre olhando para Cristo.

Serve olhando para Cristo.

Morre olhando para Cristo.

A grande tragédia de muitos crentes não é a falta de atividade religiosa.

É a falta de contemplação de Cristo.

Conhecem programas.

Conhecem métodos.

Conhecem debates.

Conhecem opiniões.

Mas perderam de vista Jesus.

E quando os olhos deixam Cristo, o coração rapidamente encontra outros objetos para admirar.

O mundo oferece milhares deles.

Mas nenhum deles pode sustentar a alma.


Nunca Estamos Lidando com Palavras Comuns

Talvez esta seja a lição mais importante que aprendemos ao longo desta série.

Quando abrimos a Bíblia, não estamos lendo palavras comuns.

Não estamos lendo pensamentos humanos.

Não estamos lendo meras reflexões religiosas.

Estamos ouvindo a voz do Deus vivo.

Paulo escreveu:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro, para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo." (2 Timóteo 3:16, NVT)

Cada página da Bíblia carrega autoridade eterna.

Cada mandamento de Cristo possui peso eterno.

Cada promessa possui valor eterno.

Cada advertência possui consequências eternas.

As palavras dos homens envelhecem.

As filosofias mudam.

As opiniões passam.

As tendências desaparecem.

Mas as palavras de Deus permanecem para sempre.

O próprio Jesus declarou:

"O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras jamais desaparecerão." (Mateus 24:35, NVT)

Que privilégio tivemos nestes meses.

Não estudamos simplesmente ideias.

Não examinamos conceitos abstratos.

Fomos conduzidos às palavras do Rei do universo.

E cada vez que olhamos para Seus mandamentos, vimos um pouco mais de Sua beleza.


O Maior Perigo do Cristão

O maior perigo não é a perseguição.

Não é a pobreza.

Não é a enfermidade.

Não é a oposição do mundo.

O maior perigo é tirar os olhos de Jesus.

Pedro andou sobre as águas enquanto olhava para Cristo.

Afundou quando passou a olhar para as ondas.

Nada mudou no mar.

Nada mudou no vento.

O que mudou foi o foco dos seus olhos.

O mesmo acontece conosco.

Quando Cristo ocupa o centro da nossa visão, encontramos força para continuar.

Quando Cristo sai do centro, até pequenas dificuldades parecem gigantes.

Por isso Hebreus continua ecoando através dos séculos:

"Mantendo os olhos em Jesus."

Não apenas hoje.

Não apenas nesta série.

Mas até o dia em que a fé dará lugar à visão.


Conclusão: Continue Olhando

Talvez esta série esteja chegando ao fim.

Mas o chamado de Hebreus 12 nunca termina.

Continuaremos olhando para Jesus nas alegrias.

Continuaremos olhando para Jesus nas lutas.

Continuaremos olhando para Jesus nos dias claros e nos dias escuros.

Porque não existe visão mais transformadora para um pecador do que contemplar o Salvador.

E quanto mais O contemplamos, mais percebemos que jamais chegaremos ao fim de Suas riquezas.

Cristo continua sendo o oceano que nenhum santo conseguiu atravessar.

A montanha cuja altura ninguém conseguiu medir.

O tesouro que ninguém conseguiu esgotar.

Portanto, continue olhando.

Há ainda mais beleza para contemplar.

Há ainda mais graça para descobrir.

Há ainda mais Cristo para conhecer.


Pai Santo,

Nós Te agradecemos porque nos concedeste o privilégio de abrir Tua Palavra e contemplar Teu Filho.

Perdoa-nos pelas vezes em que nossos olhos se desviam para as preocupações deste mundo, para nossos medos, fracassos e distrações.

Ensina-nos a fixar nossa atenção em Cristo acima de todas as coisas.

Que Sua beleza seja mais atraente que o pecado.

Que Sua glória seja maior que nossas ambições.

Que Sua voz seja mais preciosa que todas as vozes deste século.

Livra-nos de uma religião sem admiração e de uma fé sem contemplação.

Faz-nos correr com perseverança, olhando continuamente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé.

E quando nossa jornada terminar, concede-nos a alegria de contemplar face a face Aquele que durante toda a vida buscamos conhecer através das Escrituras.

Em Seu santo nome oramos.

Amém.



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