QUANDO AS URNAS REVELAM O QUE HÁ NO CORAÇÃO DA IGREJA
🌎 E SE JÁ ESTIVÉSSEMOS VIVENDO OS PRINCÍPIOS DAS DORES?
Gostaria de tomar a liberdade de compartilhar algo que está em meu coração nestes últimos dias. Creio que grande parte das pessoas que acompanham esta leitura são cristãs, e é especialmente a vocês que desejo me dirigir.
Quando menciono os princípios das dores, estou fazendo referência às palavras de Jesus em Mateus 24:4-14. Ele descreveu um período que precederia a sua volta e a grande tribulação: falsos cristos, guerras, fomes, terremotos, perseguições, falsos profetas, multiplicação da iniquidade e o esfriamento do amor de muitos.
Jesus chamou essas coisas de princípio das dores. São sinais de um mundo em convulsão, mas também de uma humanidade espiritualmente enferma. E há algo nessa advertência que tem me preocupado profundamente.
Quero falar sobre o comportamento de certos cristãos diante do resultado das eleições no Brasil.
Sei que política é um assunto complexo e que existem diferentes posições, convicções e interpretações. Não pretendo defender candidato, partido ou ideologia. Quero me deter em algo muito mais importante: o que a Bíblia exige do comportamento daqueles que professam seguir Jesus Cristo?
A Escritura nos ensina que Deus é soberano sobre os governos e as autoridades.
Daniel 2:21 declara:
"E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis."
Deus não perde o controle da história quando uma eleição termina. Ele levanta e remove governantes segundo seus propósitos. Entretanto, precisamos compreender algo: Deus utilizar alguém não significa necessariamente aprovar seu caráter ou suas atitudes.
Ele utilizou Nabucodonosor, um rei pagão, como instrumento de juízo sobre Judá (Jeremias 25:9). Também levantou Ciro, rei da Pérsia, para cumprir seus propósitos (Isaías 45:1). A soberania divina não transforma automaticamente um governante em exemplo de justiça.
Portanto, nossa confiança não deveria depender do candidato vencedor. Nossa esperança não está em Brasília, no Palácio do Planalto ou em qualquer liderança política. Nossa cidadania definitiva está nos céus (Filipenses 3:20).
Mas o que realmente tem me assustado não é simplesmente a reação política de algumas pessoas. É a maneira como certos cristãos estão reagindo!
Tenho observado manifestações de ódio, insultos, humilhações, palavras ofensivas e comportamentos que contradizem frontalmente os ensinamentos de Cristo. Há relatos e denúncias de movimentos para pressionar ou até demitir trabalhadores por não terem votado no candidato desejado. Se isso acontece, estamos diante de uma atitude vergonhosa e injustificável.
Desde quando o voto de alguém nos dá o direito de destruir sua dignidade ou ameaçar seu sustento?
Tiago 3:9-10 nos confronta com uma contradição terrível: com a mesma língua bendizemos a Deus e amaldiçoamos pessoas criadas à sua imagem. E Tiago conclui que isso não deveria acontecer!
Paulo também nos ensina, em Efésios 4:31-32, a abandonar amargura, ira, gritaria, blasfêmia e malícia, substituindo essas atitudes por bondade, compaixão e perdão.
Agora, permitam-me uma pergunta: onde estão passando seu tempo aqueles que dizem representar Cristo?
Em oração pela nação? Examinando as Escrituras? Intercedendo pelas autoridades, como Paulo orienta em 1 Timóteo 2:1-2? Ou consumindo diariamente vídeos, discussões e conteúdos que alimentam indignação, ressentimento e ódio?
Não estou dizendo que devemos ser indiferentes à política, à injustiça ou aos problemas do país. Devemos exercer nossa cidadania e defender aquilo que consideramos justo. Mas existe uma diferença enorme entre defender convicções e perder o caráter cristão no processo.
Pedro nos ordena a honrar a todos (1 Pedro 2:17). Jesus nos ensinou a amar até nossos inimigos (Mateus 5:44).
Se não conseguimos tratar com respeito alguém que votou diferente de nós, como podemos afirmar que estamos demonstrando o amor de Cristo?
🐉 QUANDO O ENGANO ASSUME APARÊNCIA DE RELIGIÃO
É aqui que quero fazer uma conexão com o texto que estamos estudando em Apocalipse 13:11-14.
João apresenta uma segunda besta com dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas que fala como o dragão. Ela possui aparência de cordeiro, porém sua voz revela outra origem. Ela realiza sinais, engana os habitantes da terra e direciona a adoração à primeira besta.
Nos versículos seguintes, sua atuação se torna ainda mais assustadora: promove a adoração da imagem da primeira besta, ameaça aqueles que não se submetem e participa de um sistema no qual comprar e vender fica condicionado à identificação com a besta (Apocalipse 13:14-17).
Observe: não se trata apenas de convencer pessoas por meio de palavras. A segunda besta utiliza persuasão religiosa, sinais extraordinários, autoridade e coerção para conduzir a humanidade à falsa adoração.
É o retrato de um engano que não se apresenta necessariamente como inimigo da espiritualidade. Pelo contrário, utiliza elementos religiosos para conquistar confiança e submissão.
Não estou afirmando que determinado candidato, partido ou cristão represente a segunda besta. Seria irresponsável identificar o cumprimento dessa profecia simplesmente a partir de uma disputa eleitoral. Entretanto, precisamos reconhecer que a manipulação, a intolerância, a coerção e a substituição da verdade pela idolatria encontram paralelos nos mecanismos de engano contra os quais a Bíblia nos adverte.
E aqui está minha preocupação: uma geração fascinada por poder, espetáculos, influência e resultados, mas cada vez menos preocupada com o caráter, a verdade e a santidade.
Imagine uma humanidade cada vez mais fascinada pelo extraordinário, mas cada vez menos interessada na verdade.
Igrejas disputando quem apresenta o maior milagre, pregadores transformando o evangelho em espetáculo, multidões procurando prosperidade sem arrependimento e pessoas escolhendo suas crenças conforme aquilo que agrada aos seus desejos.
O pecado deixa de incomodar, o temor do Senhor desaparece e a Bíblia passa a ser utilizada para justificar aquilo que ela condena.
E, enquanto isso, muitos continuam convencidos de que tudo está bem porque há música, movimento, multidões e manifestações sobrenaturais!
Mas Apocalipse 13 nos apresenta uma advertência terrível: nem tudo que parece espiritual procede de Deus!
Talvez devêssemos parar por alguns instantes e fazer um exame de consciência. Será que estamos tão ocupados tentando defender nossos candidatos que estamos negligenciando a missão de representar Cristo?
O mundo pode até não concordar com nossas convicções políticas, mas jamais deveria encontrar em nosso comportamento uma contradição tão evidente com o evangelho que anunciamos.
Se estamos nos princípios das dores, precisamos despertar! Não para alimentar o ódio, mas para recuperar o temor do Senhor. Não para idolatrar governantes, mas para reconhecer o Rei dos reis.
Afinal, de que adianta vencer uma discussão política e perder o testemunho cristão?
A Palavra de Deus continua sendo nosso padrão. E ela não muda conforme o resultado das urnas!
Senhor nosso Deus, examina nossos corações e revela tudo aquilo que não corresponde ao caráter de Cristo. Perdoa-nos quando permitimos que a ira, o orgulho e as preferências humanas ocupem o lugar do amor e da verdade. Ensina-nos a respeitar as autoridades, interceder por nossa nação e tratar com dignidade até aqueles que pensam diferentemente de nós. Livra tua Igreja do engano, da idolatria política e da frieza espiritual. Que nosso testemunho não envergonhe o evangelho, mas revele a beleza de Cristo. Em nome de Jesus. Amém!


Amém🙏🏼
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